quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

#review14 - "Mensageiros da Morte", de Marcos de Sousa

Um livro e suas mensagens



Sinopse - O Chefe, dono da maior empresa de armamentos do mundo, passando por dificuldades financeiras, percebe que uma guerra em nível mundial é tudo que ele necessita para que seu império se recupere. Com a maestria de um especialista, aguça a ganância e o ódio nas pessoas certas, preparando terreno para um grande confronto armado.
Com uma rede de intrigas e compra de favores entre os altos escalões dos principais governos do mundo, o Chefe age como um fantasma, derrubando mitos, espalhando terror e derramando sangue inocente a cada passo dado.

Porém, em toda grande teia, sempre há um traidor. Será que alguém terá coragem de desafiar um dos homens mais poderosos do mundo? Quantas peças desse quebra-cabeça terão de ser arrancadas para evitar o pior?
Em um livro repleto de mortes e sangue, Marcos de Sousa apresenta o melhor e o pior de cada pessoa. O amor e o ódio se entrelaçam, formando uma corrente indestrutível.
O fim do mundo como conhecemos se aproxima e só uma questão é essencial: quantas almas você é capaz de ceifar por ganância?



Quando você lê um livro que retrata uma realidade muito provável e próxima, percebe que aquilo pode mesmo acontecer, e acaba tendo até um pouco de medo de ler. Mas carrego comigo a frase: ao passo que você sente medo daquilo, sente, também, vontade de conhecê-lo. Isso se aplica totalmente a Mensageiros da Morte, do autor carioca Marcos de Sousa.
O livro, lançado este ano (2015) pela editora APED, começa com várias histórias em seus capítulos curtos, que se interligam mais à frente em uma guerra de nível mundial, da qual participa um grupo de soldados brasileiros selecionados para operações especiais na Síria, denominado “Mensageiros da Morte”.
Dois dos membros desse grupo são protagonistas: Thiago e Enzo. Filho de um empresário muito bem sucedido no ramo petrolífero, Thiago era um rapaz rebelde e que adorava ser um daqueles caras corruptos que escapa de emboscadas com cheques gordos. Fora enviado ao exército pelo pai, convencido pelo sócio, Antenor, de que o rapaz precisava de disciplina para comandar os negócios da família com mais responsabilidade. Já Enzo era um policial militar, afastado do cargo após perder um amigo e companheiro de profissão numa operação em uma favela do Rio de Janeiro. Depois de se encontrarem no Mensageiros da Morte e participarem de vários ataques juntos, os dois se tornam grandes amigos.
Nos Estados Unidos, James Fillmore — dono da empresa de armamentos que, no começo do livro, fecha um contrato com a empresa de petróleo do pai de Thiago, Cláudio Ferris —, disputa a presidência com o atual presidente, Willian Tyler, usando uma estratégia nada pacífica. E, em poucas páginas, o leitor descobrirá que este candidato a governar uma das maiores potências mundiais não tem nada de bom a oferecer.

O maior susto que eu levei foi como o livro se enquadra aos últimos acontecimentos — os atentados em Paris e vários outros que o antecederam pelo mundo desde o início do ano —, principalmente pelo fato de o livro falar do passado 2014 e do futuro 2016, do qual não sabemos o que aguardar. Também pelo fato de o Brasil estar envolvido diretamente nisso, contribuindo com petróleo e exército para a guerra, e por ser alvo de alguns terroristas.
É um livro fino, de 168 páginas, trabalhado com muito cuidado tanto da editora como do autor, mas com uma história impressionante e que vale a pena ser lida. Eu, como sempre, com aquele probleminha de leitura lenta, passei mais de um mês para finalizar. Mas tudo tem uma justificativa, e a minha é de que as provas finais da faculdade tomaram qualquer oportunidade que tive de ler o livro mais rápido.
Se eu pudesse, marcaria, no Skoob, como lido e quero ler, porque, daqui a algum tempo, com certeza o lerei novamente. Além do mais, Mensageiros da Morte pode passar duas mensagens: a de que o mundo deve acordar para a realidade e desistir das guerras que tanto insiste em viver; ou a de que esta é uma simples inspiração para o que pode acontecer em um futuro que está a poucos dias de distância. Mas, bom, isso sempre dependerá da interpretação de quem o ler.
P. S.: o livro ainda tem continuação, viu? Então, tipo… Marcos, já pode lançar, tá? (Risos)


Autor - Marcos de Sousa é formado em Letras (literatura e língua vernácula). Atualmente, cursa pós-graduação em Leitura e Produção de Texto. Reside e leciona no município do Rio de Janeiro (RJ). É autor do livro Coração de Vidro, além de fazer parte das antologias de contos E se só me restasse um dia e Socorro, minha vida é uma comédia, lançadas pela Editora Aped. Mensageiros da Morte, primeiro livro de uma série, é o seu romance de estreia.

Um comentário:

Desbravadores de Livros disse...

Olá, Alexandre.

Fico muito feliz que você tenha curtido a leitura e que ela tenha te envolvido completamente. É muito gratificante perceber que, depois de muito esforço, se alcançou o objetivo.
Fico na torcida para que seus leitores curtam a obra tanto quanto você.