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quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

#review14 - "Mensageiros da Morte", de Marcos de Sousa

Um livro e suas mensagens



Sinopse - O Chefe, dono da maior empresa de armamentos do mundo, passando por dificuldades financeiras, percebe que uma guerra em nível mundial é tudo que ele necessita para que seu império se recupere. Com a maestria de um especialista, aguça a ganância e o ódio nas pessoas certas, preparando terreno para um grande confronto armado.
Com uma rede de intrigas e compra de favores entre os altos escalões dos principais governos do mundo, o Chefe age como um fantasma, derrubando mitos, espalhando terror e derramando sangue inocente a cada passo dado.

Porém, em toda grande teia, sempre há um traidor. Será que alguém terá coragem de desafiar um dos homens mais poderosos do mundo? Quantas peças desse quebra-cabeça terão de ser arrancadas para evitar o pior?
Em um livro repleto de mortes e sangue, Marcos de Sousa apresenta o melhor e o pior de cada pessoa. O amor e o ódio se entrelaçam, formando uma corrente indestrutível.
O fim do mundo como conhecemos se aproxima e só uma questão é essencial: quantas almas você é capaz de ceifar por ganância?



Quando você lê um livro que retrata uma realidade muito provável e próxima, percebe que aquilo pode mesmo acontecer, e acaba tendo até um pouco de medo de ler. Mas carrego comigo a frase: ao passo que você sente medo daquilo, sente, também, vontade de conhecê-lo. Isso se aplica totalmente a Mensageiros da Morte, do autor carioca Marcos de Sousa.
O livro, lançado este ano (2015) pela editora APED, começa com várias histórias em seus capítulos curtos, que se interligam mais à frente em uma guerra de nível mundial, da qual participa um grupo de soldados brasileiros selecionados para operações especiais na Síria, denominado “Mensageiros da Morte”.
Dois dos membros desse grupo são protagonistas: Thiago e Enzo. Filho de um empresário muito bem sucedido no ramo petrolífero, Thiago era um rapaz rebelde e que adorava ser um daqueles caras corruptos que escapa de emboscadas com cheques gordos. Fora enviado ao exército pelo pai, convencido pelo sócio, Antenor, de que o rapaz precisava de disciplina para comandar os negócios da família com mais responsabilidade. Já Enzo era um policial militar, afastado do cargo após perder um amigo e companheiro de profissão numa operação em uma favela do Rio de Janeiro. Depois de se encontrarem no Mensageiros da Morte e participarem de vários ataques juntos, os dois se tornam grandes amigos.
Nos Estados Unidos, James Fillmore — dono da empresa de armamentos que, no começo do livro, fecha um contrato com a empresa de petróleo do pai de Thiago, Cláudio Ferris —, disputa a presidência com o atual presidente, Willian Tyler, usando uma estratégia nada pacífica. E, em poucas páginas, o leitor descobrirá que este candidato a governar uma das maiores potências mundiais não tem nada de bom a oferecer.

O maior susto que eu levei foi como o livro se enquadra aos últimos acontecimentos — os atentados em Paris e vários outros que o antecederam pelo mundo desde o início do ano —, principalmente pelo fato de o livro falar do passado 2014 e do futuro 2016, do qual não sabemos o que aguardar. Também pelo fato de o Brasil estar envolvido diretamente nisso, contribuindo com petróleo e exército para a guerra, e por ser alvo de alguns terroristas.
É um livro fino, de 168 páginas, trabalhado com muito cuidado tanto da editora como do autor, mas com uma história impressionante e que vale a pena ser lida. Eu, como sempre, com aquele probleminha de leitura lenta, passei mais de um mês para finalizar. Mas tudo tem uma justificativa, e a minha é de que as provas finais da faculdade tomaram qualquer oportunidade que tive de ler o livro mais rápido.
Se eu pudesse, marcaria, no Skoob, como lido e quero ler, porque, daqui a algum tempo, com certeza o lerei novamente. Além do mais, Mensageiros da Morte pode passar duas mensagens: a de que o mundo deve acordar para a realidade e desistir das guerras que tanto insiste em viver; ou a de que esta é uma simples inspiração para o que pode acontecer em um futuro que está a poucos dias de distância. Mas, bom, isso sempre dependerá da interpretação de quem o ler.
P. S.: o livro ainda tem continuação, viu? Então, tipo… Marcos, já pode lançar, tá? (Risos)


Autor - Marcos de Sousa é formado em Letras (literatura e língua vernácula). Atualmente, cursa pós-graduação em Leitura e Produção de Texto. Reside e leciona no município do Rio de Janeiro (RJ). É autor do livro Coração de Vidro, além de fazer parte das antologias de contos E se só me restasse um dia e Socorro, minha vida é uma comédia, lançadas pela Editora Aped. Mensageiros da Morte, primeiro livro de uma série, é o seu romance de estreia.

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

#review13 - "O Nono e a Raposa Mestiça", de Anderson Martins Moura

Especial garoto

Sinopse: Júbilo, um povoado protegido e invisível aos olhos da humanidade. Onde a paz reinava, até que um dia encontrou-se maldade e ganancia no coração de um dos guardiões. Mateus toma posição e recruta oito jovens ...
... Artur sempre viveu com seus pais na terra, uma família normal aparentemente. Mas tudo muda quando descobre quem realmente é.
Embarque nessa história e junto de Artur desvenda os mistérios deste mundo oculto.
Você não é filho dos seus pais. O que vai fazer? Você não é do mundo que os humanos veem. O que vai fazer? No seu verdadeiro mundo, você tem um propósito. O que vai fazer? O Nono e a Raposa Mestiça, de Anderson Martins Moura, responde a todas essas perguntas através de uma única pessoa: Artur Lins.
Uma história rápida; um conto breve. 88 páginas da impressionante vida de um garoto de 17 anos que foi transportado da verdade em que vivia para a inesperada verdade de onde realmente saíra. Artur descobre que é adotado e levado para Júbilo, um vilarejo na Terra, mas em outra dimensão. Tudo lá é humano, animal e vegetal ─ a não ser pelos detalhes mágicos.
“Resgatado” por Nildo, o garoto é transportado para Júbilo em um fusquinha verde-abacate sem volante e, depois de um tempo, descobre ser alguém tão importante quanto imaginava. Birrento e quase incompreensível, ele tem de enfrentar a si mesmo para que possa enfrentar os conflitos que o aguardam e proteger Júbilo e o mundo inteiro de um homem que quer dominá-los.
Onde a raposa entra na história? Então... Há 9 jovens escolhidos para serem guardiões. A esses jovens são apresentadas 9 raposinhas mágicas, de cores e tamanhos diferentes, e elas é que escolhem a quem pertencerão. Porém, a de Artur demora a aparecer, causando um tremendo alvoroço na cabeça do garoto. Mas, no decorrer da leitura, os motivos para essa demora vão surgindo e as peças se encaixando.
O livro trabalha o controle que se deve ter diante da verdade. Até por que, não é toda verdade que é confortável de se descobrir, de se aceitar. Com Artur não é diferente. Por isso percebe-se sua incompreensão em certas partes da história.
A diagramação e o trabalho gráfico do livro são bem feitos e, por ser uma obra curta, introduz o leitor a mais e mais histórias que virão em seguida. Anderson nos apresenta uma fantasia real, nada além do não entendimento de muitas coisas do mundo do ponto de vista de um adolescente quase na maior idade.


Autor: Anderson Martins Moura nasceu em 1992, em Fortaleza, Ceará. Atualmente segue carreira como militar. Hoje, com seus 22 anos de idade, conclui seu primeiro trabalho literário. Seguro de dar sequência a sua nova carreira como escritor, já está escrevendo a continuação d’O Nono.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

#review12 - "A Arma Escarlate", de Renata Ventura

Bruxos brasileiros


Sinopse: O ano é 1997. Em meio a um intenso tiroteio, durante uma das épocas mais sangrentas da favela Santa Marta, no Rio de Janeiro, um menino de 13 anos descobre que é bruxo. Jurado de morte pelos chefes do tráfico, Hugo foge com apenas um objetivo em mente: aprender magia o suficiente para voltar e enfrentar o bandido que está ameaçando sua família. Neste processo de aprendizado, no entanto, ele pode acabar por descobrir o quanto de bandido há dentro dele mesmo.
Sabe quando o livro é muito bom, maravilhosamente incrível, a ponto de te deixar quase sem palavras para falar sobre ele? Sim, este é o livro. A Arma Escarlate me deixou quase sem palavras, pode ter certeza. Mas vou as poucas que me restaram: com certeza, J. K. Rowling ficaria de queixo caído se lesse a história do garoto Hugo, o morador de uma favela do Rio de Janeiro que virou uma escola inteira de bruxos de cabeça para baixo.

Renata Ventura, uma moça muito simpática que tive o prazer de conhecer no ano passado (2014), na Bienal do Livro do Ceará, em Fortaleza, teve a ousadia de apostar em algo original baseado no que já existia e, fazendo isso, conseguiu resultados inimagináveis. Sim, seu primeiro livro tem muito a ver com Harry Potter, o bruxinho inglês que o mundo inteiro ama, o que não quer dizer que seja uma cópia barata daquela história. Não é.
Hugo, o protagonista, é filho de uma azêmola ─ não-bruxa ─, tem 13 anos e mora em uma favela. Mas, graças a um ataque policial, ele descobre que é bruxo e que deve ir para uma escola de bruxaria que fica dentro do Corcovado.
A história se torna ainda mais surpreendente a partir do momento em que descobrimos os Pixies, os Anjos e muitos outros personagens e criaturas de extrema influência e importância na vida do personagem principal.
Dividido em duas partes, A Arma Escarlate é uma Fantasia cheia de suspense, gírias e sotaques de vários estados brasileiros ─ visto que Korkovado é a escola da região Sudeste ─, feitiços em dialetos que poucos brasileiros conhecem e histórias de culturas que tem tudo a ver com o Brasil. Um livro que, por experiência própria, é capaz de fazer você, leitor, passar noites em claro, sentir medo de estar sozinho em determinados lugares (como seu quarto, no escuro, às duas da manhã). Não é um livro de terror, mas o suspense é tanto que, incrivelmente, consegui terminar o livro em menos de duas semanas. Pasme.
No mais, o que a Renata nos propõe, principalmente com a segunda parte do livro, é que vejamos ainda mais a realidade em que vivemos, não só no Brasil, mas no mundo inteiro, por ser a parte em que é retratado o tráfico de drogas, os efeitos que a cocaína causa, tanto em seus usuários como em seus traficantes, e as diversas formas pelas quais ela pode destruir sua vida e a de quem você gosta. Outra reflexão é de que você deve ser mais aberto a opiniões e amizades e não agredir os animais. E, claro, há muito de realidade em uma ficção do que realmente achamos que há no mundo real; isso você só vai descobrir se ler o livro.
Ah, e já tem continuação, viu? Na verdade, A Arma Escarlate foi lançado em 2012, pela editora Novo Século, teve sua continuação, A Comissão Chapeleira, lançada em 2014 e a autora já está trabalhando em um terceiro livro para essa série que promete ser uma das melhores que a literatura fantástica nacional já conheceu. Até lá, os leitores ficam na expectativa, se divertindo com os personagens em conversas animadas, enquanto esperam cada nova fase da história.




Autora: Leitora voraz desde a infância, Renata Pacheco Ventura sempre quis ser escritora. Nascida no Rio de Janeiro, em 1985, trabalhou por três anos fazendo pesquisa e roteiro para cinema documentário antes de decidir se dedicar exclusivamente a seu primeiro livro. Nesse meio tempo, implementou uma forma de interação com seus leitores, em que eles podem conversar virtualmente com alguns dos personagens do livro através de redes sociais; fazendo-lhes perguntas, batendo um papo descompromissado ou até mesmo tentando descobrir segredos da trama do livro.
Seu objetivo como escritora é contar histórias que divirtam e, ao mesmo tempo, façam o leitor refletir sobre si mesmo e sobre o mundo à sua volta...

Comentário de escritor: 
“Renata Ventura concede sua marca de originalidade criando um particular universo com elementos que já conhecemos, dando provas de que isso é mais do que criatividade. É criatividade com bom senso e uso de uma ousada elaboração. Autora engenhosa!” – Humberto Efieli
Livro: A Arma Escarlate
Autora: Renata Ventura
Texto: Alexandre de Almeida
Fotos: Humberto Efieli
Fonte: Skoob




segunda-feira, 17 de agosto de 2015

#review09 - "Em Algum Lugar do Paraíso", de Luís Fernando Veríssimo

Vero... Veríssimo!


Sinopse - Em algum lugar do Paraíso - Neste livro, o leitor irá se deparar com situações inusitadas e questionamentos atemporais que permeiam a experiência humana. Nas 41 crônicas selecionadas entre 350 para 'Em algum lugar do paraíso', todas inéditas em livro e escritas ao longo dos últimos cinco anos, Luís Fernando Veríssimo fala sobre a vida, a morte, o tempo, o amor, sempre com um ar nostálgico e repleto de reflexões acerca das escolhas feitas ao longo da existência. Em algum lugar do paraíso é um livro cheio de personagens idiossincráticos e ao mesmo tempo comuns - o papai-noel de shopping, o maître de um restaurante falido, o aposentado, a caçadora de viúvos, casais de longa data, recém-casados, casais que se separam e o solteiro sedutor. Todos possuem as mesmas inquietações, tão comuns a todo mundo.

Finalmente concluí minha meta de leitura para as férias, e antes que as aulas começassem. Isso é maravilhoso! #FériasdeEscritor foi um dos melhores períodos na minha vida de leitor/escritor. Para quem não sabe, concluí minha coletânea de contos de Dark Fantasy, selecionei parceiros para o livro Magos da Música e ainda tive tempo de postar aqui (risos). Agora, para fechar com bom humor e descontração essas férias mais que merecidas, terminei de ler o livro de um dos autores nacionais que mais admiro: Luís Fernando Veríssimo.
O livro Em Algum Lugar do Paraíso foi publicado pela editora Objetiva em 2011 e conta com 41 crônicas de um dos maiores nomes da literatura brasileira. Veríssimo nos apresenta um humor excepcional em relatos do que realmente aconteceria conosco no cotidiano.
O título dá-se por conta da primeira crônica, de mesmo nome, que relata os primeiros seres humanos da criação descobrindo, depois do fruto proibido, o tempo, o sexo e o próprio corpo. Claro, de uma maneira filosófica e engraçada ao mesmo tempo.
Há várias outras crônicas que, como sempre, não tem como eu colocar aqui, mas fica essa superdica: leiam as obras desse cara, não vão se arrepender.
Esse é o segundo livro dele que leio. O primeiro foi Os Últimos Quartetos de Beethoven e Outros Contos, lançado pela mesma editora em 2013, que, como o título já diz, nos apresenta contos, histórias curtas e de épocas distintas, e com o mesmo teor humorístico, uma característica própria do autor.
Espero que gostem, se procurarem ler, e que continuem acompanhando o blog. Obrigado pela atenção!

Autor - Luis Fernando Verissimo (Porto Alegre, 26 de setembro de 1936) é um escritor brasileiro. Mais conhecido por suas crônicas e textos de humor, publicados diariamente em vários jornais brasileiros, Verissimo é também cartunista e tradutor, além de roteirista de televisão, autor de teatro e romancista bissexto. Já foi publicitário e copy desk de jornal. É ainda músico, tendo tocado saxofone em alguns conjuntos. Com mais de 60 títulos publicados, é um dos mais populares escritores brasileiros contemporâneos. É filho do também escritor Érico Veríssimo.

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

#review08 - "Pó de Lua - para diminuir a gravidade das coisas", de Clarice Freire

Converse com a lua

Sinopse - Em 2011, discretamente, a publicitária Clarice Freire criou no Facebook uma página para reunir seus escritos e desenhos. Batizou-a como 'Pó de Lua', sua receita infalível 'para tirar a gravidade das coisas'. Desde então, ela vem conquistando uma legião de fãs fiéis e engajados, que se encantaram com a delicadeza de seus pensamentos, seu humor sutil e o traço despretensioso, que combina desenho e até fragmentos de palavras. Entre eles, estão personalidades como a atriz Grazi Massafera e a apresentadora Ticiane Pinheiro. Da internet para as páginas de um livro, foi mais um salto para a jovem autora recifense. Ela surpreende seus admiradores com uma proposta diferente. Pó de lua, o livro, tem o formato de um dos cadernos moleskine em que Clarice exercita sua criatividade. Inspirada pelas quatro fases da lua - minguante, nova, crescente e cheia - ela trata em frases concisas e certeiras de sentimentos como a saudade, o medo, a paixão e a alegria, sempre em sua caligrafia característica, ilustradas com muitos desenhos.
Todo mundo já teve algum momento da vida em que olhou para a lua e disse: “Queria ser leve que nem você, que está sempre a ver a Terra e refletir o Sol, flutuando na gravidade inexistente do espaço”. O.k., sei que é meio louco da minha parte afirmar isso, mas você já conversou com a lua, mesmo que por pensamento, que eu sei. Não preciso ser médium para isso. E garanto: depois desse livro, tudo vai ficar mais leve, mais sutil, e você pode até ver a lua sorrir de vez em quando.
Clarice é pernambucana, lá de Recife. Toda poesia, ela começou a postar seus desenhos escritos e palavras desenhadas em seu blog, que carrega o mesmo título do livro, e, compartilhando nas redes sociais, conseguiu um acesso ainda maior, extremamente poderoso, pode-se dizer, de tantos leitores que Pó de Lua – para diminuir a gravidadedas coisas virou um livro.
Publicado pela editora Intrínseca em 2014, os rabiscos vivos de Clarice ganharam o Brasil numa viagem mágica pela mente das pessoas, bem mais do que só nas redes sociais. Afinal, que leitor não gosta de ter um livro à mão?
Confesso que, quando peguei o livro, minha mãe disse: “tu não tem vergonha de ler isso? Tu acaba isso em um dia!”. Bom, foram dois dias, mas nunca me senti tão bem depois de um livro. Outra confissão: em mim, Pó de Lua teve um efeito mais relaxante que os livros de colorir. Não que eles não sejam bons, legais, lindos e fofos, mas ver as cores e os amores desse livro superam, na minha opinião, qualquer coisa que esteja por ser colorida.
E isso explica aquele comentário anterior: conversar com a lua não faz mal algum. Acho que, para quem gosta de viajar para o mundo dos sonhos de vez em quando, como eu, trocar uma ideia com o espelho do sol aqui e acolá faz um bem danado!
Para quem gosta de poesia desenhada, superindico Pó de Lua. Para quem não gosta, bom... Até a próxima resenha pessoal!

Autora - Publicitária, compositora e autora são só alguns dos atributos dessa Pernambucana nascida em 1988, que alcançou rapidamente o sucesso e conquistou mais de um milhão de fãs no Facebook. Desde muito cedo aprendeu a usar as palavras para acalmar suas inquietações e cresceu admirando os desenhos em lápis de cor da mãe, Lúcia, e os versos do pai, Wilson. Uma noite, ouviu falar que a lua era bela porque, mesmo sendo só areia, deixava refletir a luz de outro, e por isso as noites não são escuras. Daí veio a inspiração para o nome de seu blog, Pó de Lua. Hoje, com um livro publicado e uma coluna no blog da Intrínseca, Clarice está só começando a diminuir a gravidade das coisas e aumentar a poesia nos corações de milhares de leitores.

quinta-feira, 30 de julho de 2015

#review07 - "Espíritos de Gelo", de Raphael Draccon

Um homem e as dores da memória

Sinopse: Um homem acorda acorrentado numa sala de tortura sem se lembrar de nada.
Um baixinho com uma camiseta do Black Sabbath o interroga, enquanto os capangas - "dois sujeitos vestidos com roupas de couro apertadas, compradas em algum sex shop de baixa qualidade para simular o mais próximo possível de um clube sadomasoquista" - o auxiliam. Eles querem que o homem conte o que aconteceu - detalhadamente - antes de chegar até ali. Querem que ele explique como foi parar dentro de uma banheira cheia de gelo.
O problema é que seu inconsciente está bloqueando essas informações por causa de um trauma.
Numa narrativa emocionante e misteriosa, Raphael Draccon conduz o leitor ao universo desse homem acorrentado pelos próprios erros e dramas. Sexo, magia e vingança se misturam para criar uma trama surpreendente. 


Nunca havia lido nada do Raphael Draccon, e olha que tenho todos os livros dele ─ autografados, ainda por cima. Mas são tantos livros para ler, discutir com alguém, alguns presentes, algumas indicações... Você acaba ficando cheio de prioridades, e, a quem deveria realmente priorizar, a quem mais admira, você acaba deixando um pouco de lado. Da próxima vez que encontrá-lo, pedirei desculpas pessoalmente.
E outra: nem sabia por qual livro começar. Perguntava a um e outro fã em comum e sempre me indicavam ou Fios de Prata ou Espíritos de Gelo. Daí, escolhendo a meta de férias, pensei: “Ah! Vamos pelo mais fininho”. Lembrete: nunca julgue um livro pelo número de páginas.
176 páginas podem fazer você suar [de tensão] até a última gota.
Espíritos de Gelo é um livro à parte do que Raphael escreve ─ Fantasia ─, e não se engane achando que, por não ser algo com que o autor está acostumado a trabalhar, uma obra de outro gênero não seja tão boa quanto as outras ─ o que não posso mesmo afirmar enquanto não ler os outros livros dele.
No livro, publicado pela editora LeYa em 2013, um homem está sendo torturado para se lembrar de cada momento desde que teve a ideia de se matar [pulando de uma ponte] interrompida por uma mulher misteriosa que mudaria sua vida. Mariana Slaviero acabou mostrando àquele homem ─ cujo nome juro não me recordar se foi citado ─, mesmo depois de ele ter perdido o pai e a empresa que herdara, que ele poderia ter tudo o que mais desejasse, incluindo paz e tranquilidade, sem temer qualquer ameaça do destino.
Porém, o destino não costuma esquecer as ameaças que faz. Ele as guarda sob sete portas com sete cadeados, cada. E há sete chaves para cada um dos cadeados. O destino lembra-se melhor do que está sendo protegido do que de cada chave de cada fechadura de cada cadeado, e tudo isso representa a lerdeza que memória humana tem para chegar aos motivos que explicavam o fato de se estar acorrentado, sendo torturado, sangrando, sem um rim e agonizando coisas que ninguém compreenderia se tivesse acontecido de verdade.

E talvez tenha mesmo acontecido. Será? Afinal, em que país não existem seitas que cultuam sabe-se lá o que, onde vários ricaços se reúnem para fazer coisas que vão além do pudor ou da razão ou dos dois? Em que país os “interrogatórios violentos” para conseguir informações valiosas deixaram de existir? Em que país, mesmo com toda a educação e o dinheiro, com tudo de bom e melhor, o filho de algum milionário não cometeria as mesmas besteiras que esse cara fez?
Pode não ter acontecido, mas, na ficção, uma mentira é uma verdade moldada para parecer surreal.
Além de toda essa loucura envolvida na trama, Raphael ainda fez, não uma nem duas, mas umas quinhentas ou mais referências a tudo o que você puder imaginar ─ desde o que sua mãe disse quando você nasceu até o que uma mulher diz a você em um motel; desde uma produção cinematográfica nacional, até uma internacional. Traduzindo: é contada a criação e o fim do mundo, que nunca foram completamente comprovadas, em termos de cinema, rock e até religiões ocultas.
O mais importante de tudo: isso jamais confundiria a cabeça de um bom leitor.
Creio que, só essas poucas ─ ah, nem tão poucas assim, né? ─ páginas foram suficientes para fazer crescer em mim uma nova paixão por uma nova escrita. Aliás, se eu tivesse realmente pego Espíritos de Gelo ou qualquer outro livro do Raphael Draccon antes, teria ficado completamente fissurado da mesma maneira.
Sou um admirador do trabalho dele e da Carolina Munhóz, sua esposa, claro! Os dois, por um incentivo não completamente consciente, me fizeram embarcar nesse mundo amável e louco que é a literatura. E justamente pro serem brasileiros, me mostraram a esperança nos livros nacionais e como eu devia apreciá-los.
O que posso fazer agora é agradecer aos dois e indicar, sem sombra de dúvida, um maravilhoso livro do Rei Dragão: Espíritos de Gelo!

O autor: Raphael Draccon é roteirista profissional e autor de literatura fantástica contemporânea, ficção de horror e romances sobrenaturais.
É o autor mais jovem a assinar com os braços nacionais de duas das maiores holdings editoriais do mundo, e roteirista premiado pela American Screenwriter Association.

sábado, 25 de julho de 2015

#review06 - "Ferramentas dos Deuses", de Fábio Bahia de Oliveira

As ferramentas de Fábio



Sou apaixonado por contos. Lê-los e escrevê-los são mesmo atitudes prazerosas, ainda mais quando se pode compartilhá-los.  De fato, contos podem ser as melhores histórias, talvez por serem narrativas curtas e práticas, que não cansam nem desgastam nossa mente com sua leitura.
Em Ferramentas dos Deuses (2014), Fábio Bahia nos trás histórias novas sobre seres mitológicos, deuses e até fatos da atualidade. São 10 contos trabalhados de maneira culta e educativa, com uma pitada de humor e ─ por que não? ─ loucura.
O autor baiano faz alusão a Netuno, Thor, Pã e até Lúcifer, e atribui cada uma de suas ferramentas a pessoas e lugares do mundo atual. Logo, cada narração expressa o ponto de vista de alguém a respeito de cada símbolo retratado.
Gostaria muito de contar um pouco de cada conto, mas seria chato da minha parte por dois motivos: eu contaria TUDO aqui (risos) e cansaria você, que deve estar lendo agora. Então vamos aos 3 que escolhi.
O Martelo de Thor, por exemplo, é um conto inspirado no deus Thor da mitologia nórdica, cujo martelo porta(va) poderes inumanos, capazes de, principalmente, invocar raios de Thor sabe onde. Na versão de Fábio, um jornalista vai investigar o dono de uma fazendo onde, mesmo na seca, tudo é sempre vivo e verde ─ graças a um dos poderes do martelo. Nisso, o repórter acaba descobrindo que o dono dessa fazenda é o portador da arma do deus trovão, graças a um acontecimento inesperado do qual não posso falar.
Em Encontro Folclórico, um famoso caçador, a quem é chamado de Caçador mesmo, resolve ir à caça em uma reserva florestal e acaba encontrando alguns seres do nosso folclore, enganando alguns deles, porém, sendo aprisionado por um em especial.
E, no que escolhi por ser o mais engraçado de todos, Preciosos, o funcionário de uma repartição conta como seu colega, um tremendo “mão-fechada”, conseguiu colocar os bofes de todo mundo para fora com um almoço um tanto... exótico.
Fábio fez questão de mostrar, com essas histórias curtas, alguns sermões, como se fossem mesmo fábulas. Foram expostas morais ─ talvez renovadas pelo autor ─ de histórias antigas e novas, pontos de vista críticos e com todo sentido e fatos cômicos completamente malucos. No mais, foi uma leitura divertida e saborosa, com o mais belo teor de classe.

domingo, 24 de maio de 2015

#review02 - "A Herdeira de Hélzius - Os Sete Animais Sagrados", de L. M. Ariviello

Um pulo no espelho



Todos os dias novas inspirações surgem nas mentes de escritores para criar novas histórias. Todos os dias essas histórias passam para o papel de maneira cautelosa e criativa. Todos os dias, esses autores tentam inovar seu jeito de contar essas histórias, buscando maneiras de fazer o leitor sentir-se preso e fascinado com os personagens, criaturas e ambientes. E L. M. Ariviello — pseudônimo de Manoel Oliveira — ergueu, do alicerce ao topo do telhado, o castelo firme que é A Herdeira de Hélzius – Os Sete Animais Sagrados, unindo, um por um, todos esses elementos fundamentais.
O livro, lançado este ano (2015) pelo selo Novos Talentos da Literatura Brasileira, da editora Novo Século, e trata-se da narração da aventura de Alana, uma garota excepcional, que em poucos dias se mete em algo que não pode largar: seu próprio destino.
Na Terra, Alana era criada por Clementina, uma mulher de fibra e, deveras, poderosa. Com o surgimento de uma marca branca no braço da garota, as coisas foram começando a mudar, levando-a a um inevitável caos. E, numa bela noite, assistindo um filme com sua “mãe”, as duas enfrentam um ataque de lobisomens. Isso mesmo: lobisomens.
Isso obriga Clementina a contar talvez a parte mais importante de toda a verdade sobre a garota: ela não era da Terra. E, com um feitiço, mandou-a, através de um espelho, de volta a seu planeta natal: Hélzius.


Ao chegar, Alana vê-se cercada por uma série de plantas e criaturas diferentes de tudo o que já havia visto em seus treze anos de vida humana. Além de descobrir que é uma fada... quer dizer, uma bruxa... Ah, um momento... Ela descobre que é uma mestiça, algo jamais permitido em Hélzius. Por conta disso, todos querem vê-la morta, inclusive alguns membros de sua família.
Mas... tchã, tchã, tchã, thcããã!... Um profeta acaba salvando sua vida — mesmo depois de uma bela surra — com a notícia de que ela, Alana Vonys Deymos, é a Herdeira de Hélzius, algo bom e ruim por vários motivos que você só descobrirá se ler o livro.


Com o desenrolar da história, a cultura de Hélzius nos é apresentada como algo bem peculiar. Cerimônias, leis, costumes, comidas e criaturas novas surgem a cada capítulo, até que chega a parte da aventura, em que Alana e mais alguns amigos mágicos vão em busca das esferas dos sete animais sagrados, na tentativa de salvar esse novo mundo de uma iminente ameaça.
O bom de ler livros nacionais é que, muitas vezes, você pode manter contato direto com o autor e discutir algumas ideias. No caso desse livro, o autor fazer parte do mesmo grupo de escritores que eu, a ACeJE – Academia Cearense de Jovens Escritores, e sempre mantemos contato para falar algo sobre o grupo, sobre nossos trabalhos e tudo o mais.
Outro lado bom — como se houvessem lados ruins — de ler livros nacionais, é que você conhece o modo de escrever das pessoas que podem estar pertinho de você, considerando como um possível material de estudos e pesquisa.
A capa do livro, a diagramação, a cor das páginas; AHH conseguiu me surpreender em todos os aspectos. Porém, como nada pode ser perfeito, uma vírgula a mais ou a menos, aqui e acolá, ainda pôde ser encontrada. Mas, afora isso, a história foi muito bem contada e, é claro, como todo bom livro de aventura que deixa um gostinho de quero mais, merece uma continuação. Fiquemos no aguardo de novidades do Sr. Ariviello.

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Qual o seu problema com autores nacionais?!

Um texto de Alexandre de Almeida sobre leitores que não sabem aproveitar o que tem ao seu redor!

Gostaria de, primeiramente, agradecer a quem está acompanhando o Vida de Escritor. É uma honra poder mostrar para vocês novidades e dicas do meio literário. Porém, não é bem disso que venho falar hoje.



Não por que eu escreva, nem por que tenha amigos que escrevam, mas pelas minhas experiências como leitor e adepto das redes sociais, entendo que questões de gosto [literário] são indiscutíveis. Mas um questionamento reina: há uma justificativa sensata para que você não goste de certas obras ou autores, ou você simplesmente não gosta por achar que determinada história não é boa? Porém, uma pergunta maior paira, principalmente no nosso querido país: qual o seu problema com autores nacionais?!
Com a chegada do século XXI, muita coisa foi mudando na cultura brasileira, principalmente na literatura. Na primeira década, o número de editoras era um tanto baixo, e suas publicações, raras e não muito... nacionais, se é que me entendem. E podem crer: até mesmo as editoras têm sua preferência em termos de nacionalidade. Mas agora, na segunda década, temos tantos autores e tantas histórias novas e boas que até as livrarias tem estantes próprias para escritores brasileiros!
O que isso tem a ver com o gosto literário das pessoas?, vocês me perguntam. Tem tudo a ver, minha gente!
Desde que o escritor nacional passou a ser valorizado pelas livrarias e que o número de editoras no país aumentou, os leitores têm voltado mais seus olhos para as “coisas da terra”, as novas manifestações de arte e tecnologia que os livros nacionais tratam em suas histórias, poesias ou lições.
Mas aqui e acolá ainda cruzo com alguém que julga um conterrâneo como incapaz de produzir um romance de Ficção Fantástica ou uma coletânea de contos, alguém que diz que “brasileiro é burro e não consegue escrever nem o nome direito, que dirá um livro”. Ainda ouço pessoas dizerem que eu, eu mesmo, me acho o tal por escrever histórias que misturam realidade e fantasia. Ainda dou de cara com indivíduos que usam pseudônimos estrangeiros quando vão publicar suas obras por que chamam mais atenção na hora de vender.
E é aí que pergunto: se você tem vergonha de usar seu nome, de honrar sua própria nação, porque as pessoas iriam lhe olhar torto, de que adianta publicar um livro no seu país? É como se a pessoa não conhecesse Paulo Coelho, como se quisessem apenas imitar J. K. Rowling, que não é brasileira, e não querer que seu nome fique famoso.
Simples: a intenção não é mesmo engrandecer seu próprio nome; a intenção de escrever um livro, ter todo o trabalho de pesquisar, revisar e diagramar, mandar para uma editora, ser avaliado e aceito e chegar à publicação NÃO é tornar o seu nome famoso, mas mostrar que seu trabalho é que é bom. Você será famoso? Sim! Mas concentrando-se só em você, seus trabalhos nunca serão bem sucedidos, nunca terão o resultado que você espera que tenham, justamente por que você só quer ter um prestígio maior que outros.
E para os leitores que têm um “pré-conceito” — adoro falar assim, porque preconceito, em si, é um conceito pré-estabelecido —, que nunca abriram um livro da Carolina Munhoz ou da Thalita Rebouças, que nunca, sequer, se interessaram por autores até da mesma cidade que a sua, uma dicazinha básica: VAI LER, Ô, DESOCUPADO FALADOR! Dizer que um brasileiro é incapaz de produzir conhecimento é dar um soco na própria cara, autoflagelar-se, desrespeitar a si mesmo.
Eu, particularmente, não sou de ler clássicos da literatura nacional, mas isso se deu por que já li e realmente não gosto. Prefiro os mais atuais, mais compreensíveis e que, de algum modo, me ensinarão a falar minha própria língua. Tente ler algo do tipo, pelo menos um conto, de um escritor nem que seja de outro estado. Não é certo desvalorizar o trabalho de alguém que passou noites em claro, dores de cabeça e recusou vários compromissos para escrever uma boa história. Se fosse com você, leitor/novo escritor, garanto que não lhe agradaria.
No mais, está dado meu recado, certo? Nada de sair por aí falando “asneiras”, como diria Visconde de Sabugosa. Curta mais a sua cultura, afinal, ela é nossa.